Culpa de ninguém, só da vida. Mas barra não é qualquer um que segura, certo?
Sim, repetiu outra vez, e já não doía, nada mais doía.
Sou terrivelmente instável e entender as minhas reações é coisa que às vezes nem eu mesmo consigo.
Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou.
Não queria, desde o começo… eu não quis. Desde que senti que ia cair e me quebrar inteiro na queda para depois restar incompleto, destruído talvez, as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morto, mais indefinido — e seria preciso re-estruturar verdades, seria preciso ir construindo tudo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder. Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou. Mas o dilaceramento foi só meu, como só meu foi o desespero.
Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram.
Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada…
Eu te amo, mas também me canso.
C.F

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